Confira os bastidores da queda de Mano Menezes

Reuniões secretas, pressões externas e pouca identificação com a torcida fazem patrocinadores agirem

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Internacional começa a capitalizar com Falcão

Uma convocação para novos associados é a primeira ação protagonizada por Paulo Roberto Falcão no Internacional. A peça foi lançada nesta quarta-feira, no site oficial do clube, e representa o início de um trabalho da imagem do ídolo e novo técnico da equipe colorada.

Falcão foi um dos maiores jogadores da história do Internacional. No último fim de semana, fechou com a diretoria para sua segunda incursão como técnico do clube do Beira-Rio.

Nesta quarta-feira, o site oficial da equipe gaúcha tem um banner com o seguinte texto: “O Falcão atendeu ao chamado colorado. Faça o mesmo: seja sócio”. O ex-atleta aparece sorridente na peça, de braços cruzados, à frente de uma imagem do Beira-Rio.

O banner é apenas o início de uma aposta do Internacional. Falcão deve ser usado ostensivamente pelo clube, sobretudo em ações voltadas aos sócios. A meta colorada é atingir 200 mil filiados.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Falcão retorna ao Internacional em grande jogada de marketing

Por: Eduardo Mello

Divulgação/Internacional
Falcão se destacou nos gramados do mundo vestindo as camisas do Internacional, Roma e da Seleção Brasileira, no final da carreira aida teve lampejos de genialidade pelo São Paulo. Mas foi ídolo por onde passou. Nos últimos anos vinha sendo craque fora dos gramados, nos estúdios da TV Globo se mostrava um dos melhores comentaristas da emissora. Como técnico fracassou.

Depois de 16 anos de sua última experiencia como treinador, Falcão retorno ao comando de um clube, um clube não. O clube. O Internacional, onde ele foi tricampeão nacional e revelado para o mundo. Ele chega com a missão de levar o Colorado ao título da Libertadores e novamente ao Mundial de Clubes.

Mas sua carreira como treinador foi breve. durou de 1990 a 1995, alternando neste período o comando da seleção brasileira, do mexicano América, do próprio Internacional, onde volta agora, e também da seleção do Japão.

Pelo time canarinho, estreou com derrota para a Espanha em um amistoso e só conseguiu o vice-campeonato na Copa América de 1991 depois de terminar a primeira fase no segundo lugar do grupo B, que teve a Colômbia como líder, e perder da Argentina, que seria a campeã, no quadrangular final.

No América, Falcão obteve sua melhor passagem como treinador, conquistando a Copa Interamericana, em 1991, e na sequência, em 1992, a Copa dos Campeões da Concacaf. Em 1993 chegou ao clube colorado pela primeira vez na nova função e não foi bem.

O trabalho no Beira-Rio foi mais do que discreto, não rendendo sequer a classificação para a fase seguinte do Campeonato Brasileiro daquele ano. No geral, esteve à frente da equipe em 14 jogos, somando cinco vitórias, cinco derrotas e quatro empates. Entre 1994 e 1995 ainda treinou o Japão, sem nenhum título.

E é deste fraco histórico e grande tempo de ausência que surge a dúvida. A contratação de Falcão é uma aposta ou uma jogada de marketing?

O grande rival do Colorado tem no comando de sua equipe Renato Gaúcho, treinador com enorme identificação com o clube e que vem rendendo muitos frutos em ações publicitárias como já mostramos aqui neste blog.

O comentarista dos canais ESPN e blogueiro do ESPN.com.br Paulo Vinícius Coelho analisou a contratção do ex-jogador Paulo Roberto Falcão como novo técnico do Internacional e afirmou vê-la com desconfiança e também como uma "jogada de marketing" do clube gaúcho. 

"É uma ação de marketing acima de tudo. Onde digo que é uma ação de marketing quero dizer que eu desconfio do Falcão como treinador, no sucesso dele como treinador, porque na sua primeira passagem como treinador ele não funcionou, nem no Inter nem na seleção brasileira...", avaliou PVC.

O próprio Internacional já divulgou que pretende realinhar sua estratégia de marketing tendo o novo comandante como estrela. O grande objetivo é alavantar o apoio da torcida, que não gostava de Celso Roth. Fora de campo o alvo é o sócio-torcedor. Hoje beirando os 100 mil espera-se que Falcão ajude o Colorado a chegar aos sonhados 200 mil.

Outra área do marketing que deve ser utilizada é a produção de licenciados com o nome do novo treinador. Um dos primeiros produtos deverá ser uma camisa comemorativa com o nome de Falcão. O modelo remeteria ao usado na década de 70, quando o ídolo mais se destacou nos gramados do Beira-Rio.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sócio Torcedor: uma fonte de captação de novos torcedores e renda

Por: Frederico Carvalho Lopes

Sabemos que a economia brasileira vive um bom momento e o poder aquisitivo dos tupiniquins aumentou. Vários jogadores estão sendo contratados a peso de ouro pros padrões nacionais e a última grande contratação foi Luís Fabiano (abre parênteses pro autor são paulino: bem vindo de volta Fabuloso!). 
Mas esse novo momento da população brasileira não vem sendo tão bem aproveitado pelos clubes. Uma maneira muito simples de se “fazer receita” é pelos programas de sócio torcedor. Sempre que um clube está em decadência (leia-se 2ª divisão) há uma comoção da torcida e da diretoria para reerguer o time e permitir que este volte à elite do futebol nacional fortificado. O último clube a usar esse artifício foi o Vasco com o projeto “O Vasco é meu – o sentimento não pode parar” que foi um sucesso durante 2009 porém, com o acesso e os maus resultados em 2010, foi deixado de lado (você provavelmente já leu uma matéria sobre o tema nesse blog, mas caso não tenha lidou ou se esqueceu o link é: http://mktesporte.blogspot.com/2011/01/afinal-de-quem-e-o-vasco.html ).

O problema é esse: não se dá uma continuidade aos programas de sócio no Brasil. O do Vasco tinha (ou ainda tem?) como objetivo 100 mil sócios ativos, mas tem apenas 28 mil até o momento. Em quase 2 anos um resultado de 28% é ínfimo e não há má campanha dentro dos gramados que justifique.

Em solo brasileiro quem domina esse quesito é o Internacional. O Colorado tem cerca de 100 mil associados, quase o dobro do maior rival (o Grêmio, 2º clube com mais sócios no Brasil, tem cerca de 53 mil). O modelo do Inter é simples: o contribuinte paga R$20,00/mês e passa a ter descontos e preferência na aquisição dos ingressos para qualquer localidade do estádio (aliás não vemos em jogos decisivos do Inter aquelas filas intermináveis e pessoas esperando 2 dias no entorno do Beira Rio para comprar um ingresso), além de brindes e outras vantagens. É simples assim. Com isso o clube gaúcho arrecada 2 milhões/mês apenas com esse programa.

Acima foi dito que o Inter é quem domina o gerenciamento de sócios no Brasil. Jogando em termos internacionais (sem trocadilho) o Colorado tem o 6º maior número de associados. Um país que é bem representado nesse aspecto é Portugal. Os três maiores estão presentes no top-10, liderado pelo Benfica.

O modelo de sócios do atual campeão português é bem interessante e envolve muitas outras empresas. Entre tantas vantagens, algumas se destacam: descontos em carros da Citroen (de 6% a 21%), redução de €0,06 por litro de combustível na rede Repsol, melhores preços no Hospital dos Lusíadas. O Benfica conseguiu abranger um mix incrível de empresas no seu programa de sócios, isso explica o número de 171 mil associados.

O clube do melhor jogador do mundo é o segundo em número de sócios. Com anuidade de €150, a grande curiosidade do programa do Barcelona fica por conta que 17% dos 163 mil desses sócios são estrangeiros.

Abaixo estão duas listagens. Uma com os 10+ no mundo. Uma grande curiosidade nesse quesito é o fato de não haver equipes italianas, o que demonstra um dos motivos do declínio financeiro nas equipes daquele país. Mas não pense que “se um clube está entre os 10+ do mundo em número de sócios é rico”, o River está presente para jogar por terra essa tese. Outro fato bacana é a própria presença do River e não o do Boca Juniors, que tradicionalmente supera em “eventos mundiais”.

A outra listagem consta os 10+ no Brasil. E não me surpreende saber que equipes como Atlético-MG, Fla, Flu, Bota e Palmeiras não estão presentes. Talvez quando os dirigentes brasileiros perceberem o quão interessante são os sócios para o crescimento de um clube, os times brasileiros passem a depender bem menos de “ajuda” de terceiros em negociações e as jóias fiquem mais tempo por aqui.

Ranking Mundial
1.    SL Benfica   Portugal   171.000
2.    FC Barcelona   Espanha   163.000
3.    Manchester United   Inglaterra   151.000
4.    Bayern Munique   Alemanha   146.000
5.    FC Porto   Portugal   115.000
6.    Internacional   Brasil   100.000
7.    Sporting CP   Portugal   96.000
8.    Real Madrid   Espanha   92.000
9.    River Plate   Argentina    82.000
10.  Schalke 04   Alemanha    72.000

Ranking Brasileiro
1.    Internacional   100.000
2.    Grêmio    53.000
3.    Corinthians    46.000
4.    São Paulo   42.000
5.    Vasco da Gama   28.000
6.    Santos   25.000
7.    Atlético PR   22.000
8.    Cruzeiro   18.000
9.    Coritiba   18.000
10.  Ceará   10.000

quarta-feira, 16 de março de 2011

São Paulo usa marketing para contratar Luís Fabiano

Por: Eduardo Mello

Há mais de um mês criticamos o São Paulo Futebol Clube por não aproveitar a proximidade do centésimo gol de Rogério Ceni e lucrar com ações de marketing em cima deste fato. Agora chega o momento de elogiar. O clube vem lucrando com o recém contratado Luis Fabiano, e olha que o atacante ainda nem estreou.

A participação do marketing tricolor começou já na contratação do jogador. Com um valor de € 7,6 milhões (R$ 19,9 milhões) foi necessário um minucioso plano estratégico para levantar esta verba.

A primeira ação foi a criação de dois novos planos para os sócios-torcedores. Um chamado Fabuloso, com o custo de R$ 80 por mês, com direito a benefícios e acesso aos jogos do São Paulo em uma arquibancada temática no Morumbi. O segundo, chamado Vip, tem o custo de R$ 500 por mês e conta com entrada em camarotes exclusivos e acesso a regalias como camisa autografada pessoalmente pelo jogador, além de eventos e festas exclusivas.

A segunda ação foi o lançamento de várias cotas de publicidade, com valores entre R$ 250 mil e R$ 3 milhões. A variação se deve à forma como a companhia pretende expor sua logomarca, seja no uso da imagem do atacante ou de propriedades do clube (camarotes, uniformes, placas, etc).

A terceira ação virá da venda de produtos licenciados do clube e que homenagearão o novo camisa 9 do time do Morumbi.

“Foi o plano mais audacioso que eu já vi o São Paulo montar. Quando iniciamos esse projeto, imaginávamos que ele poderia dar certo, mas não tão rapidamente. Nessa semana, quando estávamos aqui na Espanha, começamos a conversar com empresas parceiras do São Paulo e outros investidores em potencial e a receptividade da ideia foi de aproximadamente 80%. Agora, quando retornarmos ao Brasil, vamos começar a oficializar essas questões”,  afirmou o diretor de marketing, Adalberto Baptista, em conversa coma reportagem do globoesporte.com

O  jogador assinou um vínculo por quatro temporadas com o São Paulo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Afinal, de quem é o Vasco?

O Vasco começou 2011 pensando em utilizar as suas estrelas Felipe e Carlos Alberto para reforçar sua campanha “O Vasco é meu”, que visa abranger 100 mil torcedores contribuindo mensalmente com o clube. Com a péssima campanha no estadual, a queda técnico PC Gusmão e iminente saída dos dois craques, como fica o marketing do clube? E agora, de quem é o Vasco?

Iniciada em 20 de maio de 2009, quando o Vasco disputava a Série B do Campeonato Brasileiro, a campanha foi idealizada pelo vice de marketing do clube na época, Fábio Fernandes, e desde sua criação utilizou estrelas do mundo pop convidando o torcedor comum a fazer parte deste grupo junto com os outros 99.999 torcedores.

O torcedor poderia optar por três categorias de sócios: Sócio Proprietário (R$ 45,00 mensais e R$ 500,00 o título), Sócio Geral (R$ 30,00 mensal e R$ 100,00 pelo título) ou Torcedor Vascaíno (R$ 20,00 mensal). O pagamento poderia ser feito por boleto bancário ou cartão de crédito.

O inicio do projeto não poderia ter sido mais animador com a adesão de 1.830 sócios em suas primeiras 4 horas no ar. Três meses depois o sucesso continuava intenso. O Gigante da Colina celebrava a proximidade da marca de 20 mil sócios em dia, com o aumento do quadro social do clube em 20 vezes. A arrecadação de R$ 800 mil líquidos era quase toda destinada ao pagamento de salários dos funcionários.

“A comoção da torcida é muito grande. Torcedores de fora do país se tornaram sócios. A expectativa é a de que tenhamos 50 mil cadastros até o fim do ano” apostava Marcos Blanco, diretor-executivo de marketing do Vasco na época.

O clube foi campeão da segundona com apoio de seus torcedores, fez festa, recuperou sua estima, mas não conseguiu reverter este momento para sua campanha de fidelização de sócios. No final de abril de 2010, o número de sócios contribuindo regularmente havia caído para 12.821 pessoas e o cadastro não havia atingido a esperada marca dos 50 mil torcedores. A inadimplência chegava a alarmantes 36.817 sócios e se tornava o principal obstáculo para o sucesso financeiro do projeto.

Em agosto, o clube mudou sua estratégia, substituiu astros pop como os vascaínos Marcos Palmeira e Fernanda Abreu por sues craques da bola Felipe e Carlos Alberto (veja o vídeo). E outra ações pontuais como o “Locutor por um dia” (o torcedor que melhor narrasse um gol histórico do Vasco ganharia uma adesão ao plano gratuitamente).



Mas a péssima campanha no Brasileirão não ajudou o marketing do clube. No final de novembro, somente 10.150 sócios estavam em dia com o programa e 45.990 inadimplentes, ou nem mesmo chegaram a pagar a primeira mensalidade.

“Trabalhamos com o torcedor, que é movido pela emoção. Os resultados do futebol em 2010 infelizmente não foram o que nós gostaríamos. Não tem jeito e isso não mexe apenas com o programa de sócios, interfere também na venda de produtos licenciados, camisas oficiais... O futebol é o carro-chefe de tudo no clube”, admitia Marcos Blanco.

Na mesma entrevista, Blanco revelava que o clube já tinha planos para incrementar o programa em 2011, “Vamos ampliar a forma de pagamento. Queremos que cada vez mais torcedores coloquem o pagamento do programa no débito automático. Isso porque, quando ele recebe o boleto bancário, se está chateado com o desempenho da equipe, será a primeira conta a deixar de pagar”.

Com os resultados em campo não ajudando, o final da temporada se aproximando e o rival Fluminense lutando pelo título, a campanha televisiva foi reduzida ao mínimo no final de setembro (sendo veiculada somente em dias de jogos do Vasco com transmissão o vivo), para voltar com força no início do Campeonato Carioca.

Depois do início pífio com quatro derrotas (uma para o Flamengo), queda de treinador, brigas internas e afastamento dos dois craques, o que fazer com o comercial em que Carlos Alberto afirma: “Eu fiquei porque o Vasco é meu” para depois Felipe dizer: “Eu voltei porque o Vasco é meu”?

Qual solução o atual vice de marketing do clube, Fabio Fernandes, vai tomar para tentar manter o combalido programa vivo. Ou será que chegou o momento de enterrar de vez o projeto?

Fontes: Vasco, Jornal  Lance, Agência Rio de Notícias