Confira os bastidores da queda de Mano Menezes

Reuniões secretas, pressões externas e pouca identificação com a torcida fazem patrocinadores agirem

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nike e Neo Química tiram casquinha na vitória de Anderson Silva


Considerado o melhor lutador da atualidade, Anderson Silva parece ter muito o que aprender ainda no quesito patrocínios e marketing. Como lembramos aqui, a visão amadora dos brasileiros em relação aos patrocínios já foi ironizada pelo lutador americano Chael Sonnen, em ocasião de seu confronto com Silva no UFC 117. No octógono, o brasileiro levou a melhor, mas os americanos ainda são incomparáveis em se tratando de publicidade.

Chamada pela mídia de "luta do século", a disputa do cinturão dos médios que aconteceu entre Anderson Silva e Vitor Belfort, dois dos maiores vencedores da história do UFC, não aconteceu no dia 5 de fevereiro por acaso. Os organizadores da competição pretendem fazer com que o UFC desbanque o tradicional SuperBowl (a final da liga americana de futebol americano ) e passe a ser o evento de maior visibilidade nos Estados Unidos. Para tanto, reuniram nomes de peso no card e marcaram a disputa para o mesmo final de semana que o SuperBowl, que acontece hoje à noite. Quem venceu esta luta de audiência, só saberemos depois, mas o certo é que o confronto entre Vitor e Anderson atraiu olhares de milhões de pessoas ao redor do mundo.
Silva comemorou sua conquista vestindo uma camisa do seu time de coração, o Corinthians. A imagem que circula na internet, jornais e revistas especializadas mostra a comemoração de um campeão vinculada às marcas Nike, Neo Química e Bozzano. Acontece que, das três, apenas a Bozzano patrocina Anderson Silva, as outras duas ganharam visibilidade de graça!

Ter sua imagem vinculada a de um campeão e não pagar nada por isso? Elas não têm do que reclamar.... Mas não seria hora dos lutadores brasileiros deixarem de lado a ingenuidade e encararem patrocínios de forma mais profissional?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Luta do século gera milhões e é mal aproveitada por patrocinadores brasileiros

Por Eduardo Mello
“Luta do Século”, “Duelo de Titãs”, “Maior confronto de todos os Tempos”, estas são apenas algumas das expressões usadas para o embate entre Anderson Silva e Vitor Belfort, que acontece no próximo dia 05/02, no UFC 126, em Las Vegas (madrugada do dia 06/02 no Brasil, com transmissão pelo Combate).

A expectativa para o dia da luta é de quebra de recordes de público no ginásio, expectadores pelo mundo e, é claro, arrecadação. Apenas uma noite de evento pode render mais de 70 milhões de reais. O preço dos ingressos varia de 125 a 1.250 reais, 130 países exibem o campeonato em 20 línguas e há pelo menos 1 milhão de assinantes em pay per view pelo planeta. A marca UFC foi avaliada em mais de 1 bilhão de dólares, segundo a revista Fortune, e Anderson, aos 35 anos, é o maior nome neste momento. Belfort não fica atrás quando o assunto é popularidade. Chamado de “O Fenômeno”, o lutador já abandonou o MMA por duas vezes, lutou boxe foi acusado de uso de doping, (fato nunca provado) mas retornou no ano passado para a categoria com uma vitória por KO. A expectativa para o confronto entre os brasileiros era enorme, mas uma contusão de Belfort adiou os planos. Nunca um postulante à conquista do cinturão ficou tanto tempo afastado dos tatames.

A verdade é que, desde a época dos irmãos Gracie, uma luta não empolgava tanto os brasileiros, e o mercado não virou a cara para isso.

Aproveitando toda repercussão do evento, a empresa 9ine entra no mercado para promover o lutador Anderson Silva (chamado de The Spider). A empresa tem como um de seus principais sócios o jogador de futebol Ronaldo (coincidentemente apelidado de Fenômeno) e que já chega com um patrocínio beirando os 170 mil reais da Bozzanno e  da Hypermarcas (mesma marca que estampa a camisa do Corinthians, clube onde joga o atacante). As concidências não param por aí, o empresário de Belfort é Fabiano Farah, o mesmo que gerencia a carreira de Ronaldo e que agora irá gerenciar a carreira de Anderson Silva. Um pouco estranho, mas não para o camisa 9 corintiano. “A 9ine tem um conceito de exclusividade, o que significa trabalhar apenas com poucos atletas e marcas, todos de ponta. Esse é o caso do Anderson Silva, um dos maiores competidores de MMA do mundo”, revelou Ronaldo ao site adNews.

Belfort é patrocinado há algum tempo pelo banco BMG e até agora não apresentou nenhum outro patrocinador exclusivamente para a luta.

Apesar da notícia poder ser considerada boa para o esporte no Brasil, no mundo do UFC o aporte de patrocínio para os atletas de ponta brasileiros ainda é insignificante.

Antes da luta na qual defendeu seu cinturão de ouro contra o norte-americano Chael Sonnen no UFC 117, Anderson Silva foi desdenhado pelo adversário, com declarações que ridicularizavam a valorização dada ao esporte em terras tupiniquins: "O Anderson Silva tem vários recordes, é o atual campeão, tem fama. Você olha para ele e vê quase nenhum patrocínio e muita vaia da torcida nas últimas lutas", afirmou o atleta americano, que ainda acrescentou "Agora você olha para mim, que ainda nem tenho título, sou um cara com fãs, com muito patrocínio e com muito menos fama."

O próprio lutador admitiu, em entrevista ao jornal "O Globo", que carece de aportes: "No Brasil, cansei de levar meu currículo e dizerem que não tenho perfil", disse o atleta, "Não tenho patrocínios daqui até hoje", completou Silva. Apesar das palavras de Sonnen, Anderson Silva, que lutou contrariando ordens médicas pois estava com uma costela quebrada, venceu em 4 rouns e meio com uma finalização em triângulo, mantendo seu cinturão e conquistando mais dois prêmios, o de Melhor Finalização e Luta da Noite.

A madrugada do dia 06/02 promete para os fãs do esporte. E esperamos que as empresas comecem a notar o potencial desta modalidade que, mesmo tendo seus críticos, é inegavelmente um filão a ser explorado pelas marcas, como já mostramos aqui no blog. Um outro detalhe imporante que deve ser ressaltado é que o Brasil nunca teve duas das maiores estrelas de um esporte individual. Já tivemos Senna, Guga, Cielo, (ainda um campeão em atividade) mas seus grandes rivais sempre foram estrangeiros.