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Reuniões secretas, pressões externas e pouca identificação com a torcida fazem patrocinadores agirem

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domingo, 10 de abril de 2011

Visa explica patrocínio a ídolos

Ronaldo, Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Luis Fabiano. Todos eles têm dois pontos em comum. O primeiro deles é o retorno ao futebol brasileiro após numerosas temporadas fora do país, e o segundo é o patrocínio da Visa justamente na partida em que voltam a vestir cores brasileiras. Mas qual é critério para esses patrocínios?

Segundo Mariana Nadruz, diretora de marketing da Visa no Brasil, não há uma lista de critérios específicos que precisa ser preenchida, como passagens pela seleção brasileira. "Nós levamos em consideração tamanho do clube, do jogador, histórico dele no país, tudo o que conquistou, mas avaliamos cada oportunidade", explica.

O retorno de Luis Fabiano ao São Paulo, por exemplo, não remete à conquista de títulos com a camisa tricolor, mas representa forte vínculo entre atleta e torcedores. Há, ainda, a relevância que o atacante ganhou por representar o país na última Copa do Mundo. Com Ronaldo, por outro lado, as principais razões foram distintas.

Apesar disso, desde que começou com o aporte pontual na reestreia de um grande ídolo (o pioneiro e mais bem sucedido aporte foi com Ronaldo, em março de 2009, no clássico contra o Palmeiras), a Visa não participou da primeira volta de Adriano, ainda em 2009, ao Flamengo.

Sobre o atacante, agora no Corinthians, encaixar-se nas características descrita por Mariana Nadruz, a Visa ainda não se pronuncia a respeito de um eventual patrocínio ao Corinthians na estreia do jogador.

sábado, 12 de março de 2011

2011, o ano das novelas no futebol

Por: Eduardo Mello

O ano de 2011 vem sendo marcado por chatíssimas novelas no futebol brasileiro. Vivemos o réveillon com a trama de Ronaldinho Gaúcho, escrita por seu irmão Assis e envolvendo Grêmio, Palmeiras e Flamengo - por qual clube ele jogaria - foram momentos de tensão, festa armada sem o principal convidado, coletiva cheia de repórteres em um hotel luxuoso para dizer nada e os dirigentes dos clubes fazendo papel de bobos. Por fim, a coisa cansou, a audiência caiu e os cariocas fizeram a festa real para o R10.

E o que falar da unificação dos títulos nacionais? Nem foi novela, foi rápido e rasteiro, mas deu muito pano pra manga depois. De uma só vez, a CBF saiu distribuindo títulos e mudando todo o passado do nosso futebol. Até eu pensei em entrar na justiça e pedir o reconhecimento do campeonato de botão que ganhei em 1981, mas os gremistas iam ficar zangados em dividir o título. Então deixei pra lá.

Outra trama, muito mal explicada, envolveu o amor de um jogador em fim de carreira com o clube que o revelou. Rivaldo voltou para o Mogi Mirim como presidente, craque do time e garoto propaganda. Seu objetivo era aproveitar os últimos lampejos de seu futebol e levar o time para as finais do Paulistão. Aí veio o São Paulo, rapaz belo e rico do Morumbi, e o sonho caipira terminou, o pentacampeão do mundo partiu de mala e cuia para a cidade grande e deixou seu antigo amor aos prantos. Foram-se os patrocinadores, os torcedores e, cadê o presidente? Até este se foi.

E como esquecer o drama do Corinthians? Tudo bem que este está mais para minissérie, depois de todo o trabalho realizado em 2010 para conquistar uma vaga na Libertadores, eis que vem o Tolima, time Colombiano vestido de Chapolin Colorado, protagoniza uma enorme zebra e elimina o Timão. Entre lágrimas e lamentações, surge a fúria de alguns torcedores incontidos. Como em um roteiro barato, Roberto Carlos e Ronaldo passam de heróis a vilões, o primeiro vai embora e, para o segundo, chega ao final a história de um dos maiores craques do futebol brasileiro.

Novela terminada, nova trama que começa. E esta promete modificar os rumos do futebol brasileiro, transformar nosso campeonato em algo como a Liga Inglesa; é chegada agora a hora da Licitação do Brasileirão. Um jogo político dos mais chatos que já vimos. Clube dos Treze contra CBF. A Liga da Justiça dos clubes, vulgo C-13 mostrava uma união incrível, os clubes unidos, prontos para extorquir o máximo de dinheiro das emissoras que quisessem passar seus jogos na telinha. Foi então que a grande mandatária do nosso futebol surgiu com uma certa taça de bolinhas. Primeiro, oficializou que o Sport era o único campeão de 1987 (na distribuição de títulos, só o Flamengo não ganhou um) e, com isso o São Paulo recebeu a maldita Taça de Bolinhas (prêmio dado pela Caixa Econômica para o primeiro clube que conquistasse o título nacional cinco vezes) com um enorme sorriso. O Flamengo esperneou, xigou, brigou, mas tal qual uma amante abandonada, só pôde prometer vingança. E ela veio rapidamente. Na hora da união dos clubes, o Rubro-Negro puxou a corda dos grandes cariocas e começou a romper a unidade que existia no C-13. E não é que logo depois a CBF voltou atrás com sua decisão e passou a considerar o Flamengo campeão de 1987, ora bolas, Bolinhas para a Gávea.

Mas a novela da licitação não se resume só a bolinhas, o mosqueteiro corintiano Andres Sanches fez sua "Revolução", mas nada de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", ele queria mais dinheiro para o seu Corinthians e, com isso, apunhalou o Clube dos Treze e foi embora. Vários outros clubes saíram da licitação, mas não saíram da entidade, que manteve o processo em andamento.

As duas maiores emissoras interessadas em comprar o produto caíram fora, a Rede Globo anunciou que não iria participar mais da novela (logo ela, referência de teledramaturgia no Brasil). A Record quis colocar mais suspense na trama, deixou para abandonar o barco nos segundos finais do último capítulo. A RedeTV!, que nem novela faz, acabou surpreendendo e vencendo a licitação com um valor que serve de esmola na Liga Inglesa. Mas esta novela, infelizmente está longe de acabar, e nós ainda teremos que aguentar mais capítulos desta chata e insossa trama.

Mais alegre é a comédia do Palmeiras, lá o Felipão jura que não briga com Valdívia e com o Kleber, mas no twitter, o atacante diz outra coisa. A polêmica durou uma semana com o técnico afirmando que não existia nenhum problema. A novela ainda não engrenou, mas promete muitas emoções. Assim como a trama intitulada "O Ganso quer voar". Será que a revelação do Santos terá seu desejado aumento, ou irá brilhar nos gramados de Milão? E se for? Com que camisa irá jogar? Não perca os próximos capítulos desta novela do Peixe.

Para terminar, temos a mais nova trama da Gávea (ô lugarzinho bom para ter novela), esta quase pode ser intitulada "A volta dos que não foram", mas será que Adriano (dispensado pela Roma e desempregado) vai voltar mesmo? Ronaldinho já disse que quer o atacante no Flamengo, Luxemburgo disse que "Adriano está fora da filosofia do Flamengo. Ele não cabe aqui", muitos capítulos vão acontecer até esta novela terminar, mas aposto em final feliz e com o Imperador vestindo novamente a camisa rubro-negra.

Isso tudo aconteceu só neste ano, e ainda estamos no início de março. Mas chega de novela, nosso assunto aqui é marketing e negócios.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Marco Aurélio Cunha desmistifica marketing

Por: Eduardo Mello

Fui surpreendido hoje com uma declaração do conselheiro do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, afirmando que a má fase do futebol do clube tem como aspecto positivo desmistificar a excelência do departamento de marketing do Tricolor Paulista. Disse ele: "Não tem milagre. O marketing surfa no suor do futebol. No São Paulo como em qualquer clube, o que vende é ídolo e resultado". A frase, muito bem dita, deve ser analisada sob vários aspectos.

Marco Aurélio Cunha, médico por formação, é um dos melhores dirigentes esportivos do nosso país e entende como usar a ferramenta marketing dentro do esporte como poucos.

A coragem do dirigente de expor seu sentimento mostra a mecânica exata do sucesso recente do clube, que foi tricampeão brasileiro e modelo para outros clubes no Brasil. Mas parece que o São Paulo de hoje esqueceu como as coisas funcionam. Em uma analogia à frase dita por seu dirigente, falta uma prancha de surfe e, sem ela, o clube se perde em um oceano de oportunidades.

Lembro de uma outra declaração de Cunha, esta feita em 22 de dezembro de 2010, quando o São Paulo convidou David Beckham para atuar pela equipe paulista. "Essas figuras que trazem grande retorno de marketing estão acabando. O Beckham tem compromissos mundiais e está fora de cogitação. Poderia até fazer uma participação esporádica aqui, mas é complexo demais. Só que, se você não tentar, as coisas não acontecem. Foi assim que fizemos com Adriano e Ricardo Oliveira quando os trouxemos para se tratarem no Reffis. Mesmo que sejam sonhos, uma tentativa de observar é totalmente válida", disse o dirigente.

Naquela época, já era possível ver um certo desespero na busca por um ídolo. As jovens revelações como Lucas e Casemiro, ainda têm muito para mostrar e Rogério Ceni é um assunto a ser tratado mais à frente. Acabou sobrando para o pobre Mogi Mirim, que perdeu seu recém empossado presidente Rivaldo, para ser o novo camisa 10 e ídolo do Tricolor.

Mas, e Rogério Ceni? O camisa 1 se aproxima de uma marca histórica e incrível. O centésimo gol, um feito inacreditável para um goleiro. Uma oportunidade única do marketing faturar, e faturar alto. O feito pode ser comparado com o milésimo gol de Romário (comparar com Pelé é sacrilégio) e todo esforço deve ser feito para lucrar com a oportunidade, ou para "surfar esta onda", seguindo a analogia de Cunha.

Onde estão os patrocínios pontuais, a linha especial de produtos, as camisas do goleiro com o número 100 nas costas e até uma edição especial com o trocadilho CENi? Faltam apenas 3 gols (ou 5, segundo a Fifa) e o site oficial do clube não destaca isso. Pior: a loja on-line não tem nada diferente do goleiro para vender. Este não parece o São Paulo de Marco Aurélio Cunha, que sempre mereceu admiração.

Hoje o marketing faz parte do oceano feito com o suor do futebol. Com ídolos e bons jogadores, os resultados surgem. Com estes resultados é possivel fazer campanhas publicitárias e gerar dinheiro. Assim se investe em novos ídolos e jogadores, desta forma o clube segue. Como uma onda.